Prefeito afirma que alteração do CNES do Hospital Amo a Vida foi imposta pelo TCE-MT
João Bang diz que decisão não partiu da gestão municipal e declara que “o sistema venceu o povo”
Publicada em 15/12/25 às 22:24h
A Notícias em Foco
Compartilhe
Link da Notícia:
(Foto: A Notícias em Foco)
Nova Xavantina (MT) – O prefeito de Nova Xavantina, João Bang, afirmou que a assinatura da alteração do CNES (Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde) do Hospital e Maternidade Amo a Vida não foi uma decisão da Prefeitura, mas uma determinação do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), após sucessivas negativas do chefe do Executivo municipal.
Durante entrevista concedida à Rádio Rezende, o prefeito explicou que se recusava a assinar a mudança por discordar do modelo proposto. Segundo ele, defendia que qualquer atendimento do hospital privado pelo programa Fila Zero ocorresse sob gestão e fiscalização direta do município, condição que não teria sido aceita pela direção da unidade privada.
Tentativas frustradas e recurso ao Tribunal de Contas
De acordo com João Bang, a direção do Hospital e Maternidade Amo a Vida tentou, por diversas vezes, que ele autorizasse a alteração do CNES. Em todas as ocasiões, conforme relatado pelo prefeito, a assinatura foi negada.
Diante das negativas, os gestores do hospital recorreram ao Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso. Após análise, o TCE autorizou o hospital privado a atender pelo programa Fila Zero e determinou que o prefeito realizasse a assinatura da alteração do CNES, estabelecendo multa diária de R$ 2.500 em caso de descumprimento.
O prefeito informou que chegou a recorrer da decisão, mas a medida cautelar foi mantida, posteriormente levada ao plenário e homologada, tornando a assinatura obrigatória.
“Quem assinou não foi o prefeito, foi o sistema”
Em tom de desabafo, João Bang afirmou que a assinatura não representou sua vontade política nem administrativa.
“Quero deixar bem claro para a população: quem assinou não foi o prefeito João Bang. Quem assinou foi o sistema. O sistema venceu o povo de Nova Xavantina”, declarou.
Segundo ele, a decisão retirou da Prefeitura a autonomia sobre a gestão da saúde municipal, impondo um modelo definido fora do município e sem a concordância da administração local.
Lista de espera e exposição de pacientes
Ainda durante a entrevista à Rádio Rezende, o prefeito comentou a divulgação de uma lista de pacientes que aguardam atendimento, esclarecendo que não solicitou nem divulgou o documento e que o pedido teria partido do vereador Anilton Moura.
O prefeito limitou-se a mencionar a existência da lista, sem detalhar prazos ou tempo de espera dos pacientes. Informações apuradas pela reportagem indicam que o documento reúne pessoas que aguardam exames, consultas e procedimentos cirúrgicos, havendo casos de longa espera.
João Bang afirmou que sua preocupação sempre foi evitar a exposição de pacientes do sistema público de saúde, ressaltando que a forma como a lista foi divulgada acabou gerando constrangimento às pessoas envolvidas. Segundo ele, esse ponto teria sido mencionado inclusive por um auditor envolvido no processo.
Estrutura médica do Hospital Municipal
Durante a entrevista à Rádio Rezende, o prefeito também destacou a estrutura atual do Hospital Municipal de Nova Xavantina. Segundo ele, a unidade conta hoje com uma equipe formada por 33 médicos, sendo 14 especialistas, que atuam no atendimento à população por meio do sistema público de saúde.
Questionamentos à condução estadual
João Bang também citou o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, afirmando que, segundo seu conhecimento, ele nunca esteve em Nova Xavantina para conhecer de perto a realidade da saúde pública local.
O prefeito relatou que o secretário estava previsto para visitar o município no dia da audiência pública, mas não compareceu após questionamentos feitos sobre a condução do processo.
“A decisão não foi contra o prefeito, foi contra o povo”
Ao finalizar a entrevista, o prefeito afirmou que a decisão do Tribunal de Contas não atinge apenas a gestão municipal, mas principalmente a população de Nova Xavantina.
“Quando se impõe uma decisão dessa forma, não é o prefeito que perde, é o povo. Eu não assinei porque quis. Assinei porque fui obrigado”, concluiu.
ATENÇÃO:Os comentários postados abaixo representam a opinião do leitor e não necessariamente do nosso site. Toda responsabilidade das mensagens é do autor da postagem.