A Associação Municipal Amigos de Quatro Patas, de Nova Xavantina, divulgou uma nota pública para esclarecer informações consideradas distorcidas após seu nome ser citado durante um programa de rádio local, em discussões relacionadas à quantidade de animais soltos no município.
Segundo a entidade, as falas veiculadas no programa deram a entender que a associação seria mantida ou custeada pela Prefeitura, o que não corresponde à realidade. A associação afirma que não é um abrigo municipal e que atua exclusivamente por meio de trabalho voluntário e doações da comunidade.
Desde 2021, existe apenas um convênio com o município no valor de R$ 2.000 mensais, com repasse líquido de R$ 1.981,15, recurso que, conforme a associação, é utilizado prioritariamente para a compra de ração. Atualmente, o custo mensal apenas com alimentação gira em torno de R$ 7 mil, sendo consumida mais de uma tonelada de ração por mês.
Além disso, a entidade recebe R$ 700 mensais provenientes do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) do CINQ nº 000801/96/2024, cujo valor total é de R$ 3.500. Ainda assim, a associação reforça que a comunidade e os apoiadores seguem sendo os principais responsáveis pelo custeio das atividades.
Colapso financeiro e suspensão dos resgates
Atualmente, o abrigo enfrenta superlotação, com mais de 140 animais acolhidos simultaneamente. Considerando entradas e saídas, mais de 300 animais passaram pelo abrigo. Somente em 2025, foram realizados mais de 112 resgates e cerca de 50 adoções.
A estimativa de despesas mensais do abrigo é de aproximadamente R$ 18.546, valor que não inclui custos veterinários. O abrigo não possui clínica própria, e todos os atendimentos — como consultas, exames, cirurgias e castrações — são pagos.
Com despesas acumuladas de 2024 e 2025, a associação estima um acúmulo de dívidas próximo a R$ 100 mil. Diante desse cenário, a entidade anunciou, com pesar, a suspensão das atividades de resgate por tempo indeterminado.
Críticas à condução do debate público
Na nota, a Associação Amigos de Quatro Patas faz um pedido de respeito aos meios de comunicação, destacando que a forma como a pauta do abandono animal foi tratada no programa de rádio foi irresponsável e sem conhecimento de causa, o que acaba gerando cobranças indevidas, desinformação e desgaste aos voluntários.
A entidade reforça que a proteção animal é uma questão de saúde pública e que não pode ser atribuída exclusivamente a abrigos ou grupos voluntários, sendo uma responsabilidade que envolve o poder público e toda a sociedade.
“Encerramos os resgates com muita tristeza. Nosso coração sofre ao ver tantos animais precisando de cuidado, mas sozinhos não conseguimos continuar assumindo uma responsabilidade que não é apenas nossa”, destacou a associação.