Empresários e servidores públicos são presos por fraude em contratos de shows com superfaturamento de até 400%
Investigação aponta esquema milionário em eventos públicos; presos incluem ex-secretário e servidora municipal
Publicada em 16/12/25 às 15:55h
A Notícias em Foco
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(Foto: A Notícias em Foco)
Empresários e servidores públicos foram presos suspeitos de integrar um esquema de fraude em contratos de shows e eventos realizados por prefeituras do interior, com superfaturamento que pode chegar a quase 400%. A investigação, conduzida pela Polícia Civil, resultou no cumprimento de prisões preventivas e mandados de busca e apreensão em Araguaiana e Barra do Garças, em Mato Grosso, além de um condomínio de luxo em Aparecida de Goiânia, em Goiás.
Durante a operação, os policiais apreenderam cerca de R$ 20 mil em dinheiro, documentos, equipamentos eletrônicos e um drone. Todos os investigados alvos das prisões permanecem presos.
Entre os detidos estão Elcio Mendes da Silva, ex-secretário de Turismo de Barra do Garças, Luciana Costa da Silva, servidora da Prefeitura de Barra do Garças, e o proprietário da empresa Signus Estruturas e Eventos Ltda, apontada como uma das responsáveis pela execução dos serviços investigados.
Como funcionava o esquema
De acordo com a Polícia Civil, os presos atuavam por meio de empresas especializadas na prestação de serviços para eventos públicos, fraudando processos licitatórios e contratos firmados com prefeituras.
Segundo as investigações, os contratos previam a locação de grandes quantidades de estruturas, como banheiros químicos, palcos, iluminação, telões e outros equipamentos. No entanto, no dia dos eventos, apenas parte do material era efetivamente instalada. Mesmo assim, os valores eram cobrados de forma integral, gerando prejuízos aos cofres públicos.
Um dos exemplos citados pelo delegado Dr. Rafael Diniz, que atua nas investigações, aponta que, embora o contrato previsse a instalação de 20 banheiros químicos, apenas dois eram montados. A prática, segundo ele, se repetia em todos os setores do evento.
Envolvimento de servidores públicos
Conforme a investigação, os servidores Luciana Costa da Silva e Elcio Mendes da Silva teriam atuado para facilitar contratações, elaborar ou validar documentos irregulares, interferir na fiscalização dos contratos e viabilizar pagamentos indevidos, além de fornecer informações privilegiadas aos empresários, garantindo a continuidade do esquema dentro da administração municipal.
A movimentação financeira do grupo criminoso, de acordo com a Polícia Civil, ultrapassa R$ 5 milhões, todos oriundos de recursos públicos.
Alcance da investigação
As investigações tiveram início em janeiro deste ano, após a identificação de fraudes em festas realizadas no município de Pontal do Araguaia (MT). Desde então, a Polícia Civil apura a atuação do grupo em Barra do Garças, em outros municípios da região e também no interior de Goiás.
As investigações seguem apontando cidades do Vale do Araguaia, e Nova Xavantina está na lista, por ser uma das cidades que contrataram a empresa investigada para a realização de eventos públicos.
Medidas judiciais
Com base nos elementos reunidos, o Poder Judiciário autorizou prisões preventivas, buscas e apreensões, quebras de sigilo bancário e telemático dos investigados, além da suspensão das atividades das empresas Tay Comércio e Serviços Ltda e Signus Estruturas e Eventos Ltda.
Posicionamentos
Em nota, a Prefeitura de Pontal do Araguaia informou que as licitações citadas são regulares e destacou que nem a prefeitura nem o prefeito são alvos da investigação. A administração afirmou ainda que as apurações se concentram em empresas privadas, que colabora com as autoridades e reforçou o compromisso com a legalidade e o uso correto dos recursos públicos.
A reportagem solicitou posicionamento às prefeituras de Novo Brasil (GO) e Barra do Garças (MT), mas até o fechamento desta matéria não houve retorno. Também foi solicitado esclarecimento às empresas investigadas, porém não houve resposta. A defesa dos presos não foi localizada.
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